Organização do Trabalho Pedagógico Escolar
Disciplinas e Áreas
Celem
Biblioteca
Publicações Órgãos Colegiados da Escola Destaques da Educação Bartolomeu Notícias Espaço da Escola Espaço dos Educandos Concursos, Cursos e Eventos Boletim Escolar Matrículas e Resultados Informática, Tecnologias e Downloads Dicas de Trânsito Prestação de Contas Fale Conosco Mural de Recados Procuro você Utilidade Pública

Quantidade de Páginas visitadas





- DICAS de PORTUGUÊS -

- - -

O estudo da ortografia exige atenção de quem escreve. É necessário realizar as analogias entre palavras. Ao escrever um vocábulo, ter a ciência de que ele proveio de outro, o que nos obriga a escrevê-lo de determinada maneira, e não de outra. É preciso paciência. Só aprende a escrever adequadamente quem treina sistematicamente. Portanto, leitor, mãos à obra! 

- - -

- Últimas Dicas -

- Paralelismo semântico e paralelismo sintático - Por Thaís Nicoleti

- "Onde" atrai pronome átono - Por Thaís Nicoleti

- Crase e Construção Sintática - Por Thaís Nicoleti

- "Paralelo a", mas "em paralelo com" - Por Thaís Nicoleti

- Raios Ultravioleta e Raios Infravermelhos - Por Thaís Nicoleti

- Ar condicionado ou ar-condicionado? - Por Thaís Nicoleti

- Verbo Responder - Por Thaís Nicoleti

- Organização sintática aumenta clareza da frase - Por Thaís Nicoleti

- Ordem dos termos e uso do pronome relativo - Por Thaís Nicoleti

- Pronome relativo atrai pronome átono - Por Thaís Nicoleti

- Sessão ou seção? - Por Thaís Nicoleti

- "Focar" e "impactar" são transitivos diretos - Por Thaís Nicoleti

- Pronome demonstrativo garante coerência da frase - Por Thaís Nicoleti

- Uso do hífen em "sócio-fundador" e "socioeconômico" - Por Thaís Nicoleti

- "Porque" ou "por que"? - Por Thaís Nicoleti

- Próclise com Demonstrativos - Por Thaís Nicoleti

- - -

- - Páginas - -

- 00 - 01 - 02 - 03 - 04 -

- Anterior - - - Próxima -



- Paralelismo semântico e paralelismo sintático -

"A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Não está somente redefinindo a América Latina, mas também a economia do mundo inteiro."

Algumas construções sintáticas, em geral as que envolvem os conectivos de adição e certas estruturas correlativas, requerem, a bem da clareza, a organização paralelística.

Do ponto de vista semântico, uma construção como "Gosto de frutas e de livros" causaria estranheza, embora, do ponto de vista sintático, esteja perfeita. Estamos diante de um caso de quebra do paralelismo semântico, que se caracteriza pela quebra da expectativa do leitor.

Machado de Assis, entre outros escritores, explorou os efeitos estéticos desse tipo de defeito de construção. Está no seu "D. Casmurro" a formulação "um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu", em que criou um delicioso efeito de estilo.

A falta de paralelismo semântico talvez seja mais facilmente percebida que a falta de paralelismo sintático. Esta ocorre quando uma estrutura irregular ocupa o lugar de uma estrutura repetitiva, também quebrando a expectativa do leitor.

Quando começamos um período da seguinte maneira: "Tanto os países da América do Sul", esperamos que a continuação seja algo do tipo "quanto/ como os...". Isso ocorre porque "tanto... como/ quanto" é uma estrutura correlativa (a primeira parte "chama" a segunda). Se disséssemos, portanto, "Tanto os países da América do Sul e os da América Central", teríamos a quebra do paralelismo sintático, embora, do ponto de vista semântico, não houvesse defeito.

O fragmento selecionado apresenta uma das mais frequentes quebras do paralelismo sintático. O último período organiza-se por meio do par correlativo "não somente... mas também". Ocorre, entretanto, que a primeira parte da estrutura foi interrompida pela forma verbal ("não está somente") e, de quebra, a locução "está redefinindo" também foi interrompida. Uma simples ordenação dos termos resultaria em "Está redefinindo não somente".

Observe que, se o redator optasse por "Não somente está redefinindo", a segunda parte da oração deveria conter outro verbo ("Não somente está redefinindo... mas também está fazendo crescer ...", por exemplo). Como a ideia era dizer que a ascensão Brasil está redefinindo as duas coisas (América Latina e economia do mundo inteiro), a correlação deve vir depois do verbo. Assim:

A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo não somente a América Latina mas também a economia do mundo inteiro.

Se, porventura, a ideia fosse dizer que a ascensão do Brasil está redefinindo a economia da América Latina e a economia do resto do mundo, o ideal seria o seguinte:

A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo a economia não somente da América Latina mas também do mundo inteiro.

Outra opção seria a seguinte:

A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo não somente a economia da América Latina mas também a do mundo inteiro. 

-  -


- "Onde" atrai pronome átono - Por Thaís Nicoleti

"Cheguei numa véspera de Natal, direto para uma festa onde causou-me impacto a presença, e a fartura, de uma iguaria raríssima no Brasil: o salmão."

O fragmento acima suscita uma questão de colocação pronominal. Qual é, na verdade, a posição correta do pronome "me"?

Segundo a norma culta, nas orações subordinadas desenvolvidas (aquelas que se iniciam com um conectivo), prevalece a próclise, ou seja, o pronome antes da forma verbal. A tendência, no português do Brasil, é empregar o pronome proclítico nas mais diversas situações, independentemente de haver o fator de próclise. Assim, chama a atenção a opção do redator pela ênclise no trecho acima.

Na verdade, a ênclise, no português brasileiro, geralmente é fruto da preocupação com a correção gramatical; em outras palavras, trata-se de estrutura pouco espontânea. A título de exemplo, observe que é muito mais comum ouvirmos uma frase como "O jogador se despediu da torcida" do que uma frase como "O jogador despediu-se da torcida". Rigorosamente, a última é a representativa da norma culta, mas a tendência dominante é que se aceitem as duas como opções de construção.

No trecho destacado acima, temos um típico caso de "hipercorreção" - aquele que ocorre quando o redator interpreta como incorreta uma forma correta e busca "corrigir" o que já estava certo. Não é à toa que a frase soa artificial.

A palavra "onde" nesse fragmento funciona como pronome relativo (equivalente a "na qual") e é o conectivo que introduz a oração subordinada adjetiva. Nesse tipo de estrutura, a próclise é o melhor caminho - além de ser o que preconiza a norma culta, é a construção mais espontânea no Brasil.

Uma segunda observação diz respeito à pontuação e à concordância do trecho. As vírgulas usadas para separar o bloco "e a fartura", como se não fizesse parte do sujeito da oração, tentam mimetizar a linguagem falada, imprimir a estrutura coloquial ao texto escrito.

Do ponto de vista da norma culta, entretanto, o sujeito do verbo "causar" é a presença e a fartura da tal iguaria. O impacto é produzido pela presença e pela fartura, portanto estamos diante de um sujeito composto. Ao tratá-lo como se fosse um sujeito simples ("a presença"), deixando o segundo elemento entre vírgulas apesar do conectivo de adição "e", o redator que marcar a ênfase no termo "presença". Que a intenção é essa não se discute, mas o fato é que a língua dispõe de mecanismos de ênfase que não firam os princípios de concordância e de pontuação.

As estruturas correlativas servem exatamente para isso. Em vez de simplesmente dizer "a presença e a fartura causaram-me impacto", pode-se lançar mão do par "não só... mas também": "não só a presença mas também a fartura causaram-me impacto". Com o verbo no início, a ênfase é ainda maior: "causaram-me impacto não só a presença mas também a fartura"; com o fator de próclise, teremos "onde me causaram impacto não só a presença mas também a fartura". Garante-se, assim, a ênfase sem prejudicar a pontuação nem a concordância.

Veja, abaixo, a sugestão:

"Cheguei numa véspera de Natal, direto para uma festa onde me causaram impacto não só a presença como também a fartura de uma iguaria raríssima no Brasil: o salmão."

-  -


- Crase e Construção Sintática -

"...não pode afirmar com certeza que as mercadorias referentes a aqueles contratos tenham sido embarcadas ou não."

O fragmento acima suscita duas questões gramaticais: uma refere-se à crase; outra, à organização sintática do período.

A primeira delas, a mais visível, diz respeito à crase. Não se usa a preposição "a" separadamente das formas "aquilo", "aquele (s)" e "aquela (s)", os pronomes demonstrativos iniciados pela vogal "a". Ocorre a crase com a vogal inicial dessas palavras, o que produz as grafias "àquilo", "àquele (s)" e "àquela (s)".

A segunda requer atenção mais detida. A oração principal do período tem estrutura negativa ("não se pode afirmar com certeza ..."), o que levaria, naturalmente, ao emprego de uma oração substantiva (com valor de "sujeito" da oração principal) encabeçada pela conjunção integrante "se" (em vez de "que").

Para entender isso, observe o seguinte par de períodos: (1) Eu sei que vou conseguir isso, (2) Eu não sei se vou conseguir isso. Com a estrutura afirmativa, aparece a conjunção "que"; com a negativa, a conjunção "se". Em outras palavras, "eu sei que...", mas "não sei se...".

Seguindo esse raciocínio, o período destacado poderia ter a seguinte estrutura: "...não pode afirmar com certeza se as mercadorias referentes àqueles contratos foram embarcadas ou não". Ocorre que o redator preferiu empregar a conjunção "que" (que, por si só, não exprime incerteza, diferentemente do que ocorre com a conjunção "se"). Por essa razão, a ideia de incerteza migrou para o modo verbal, tanto que a oração complementar apresenta o verbo no subjuntivo ("tenham sido").

Até aí, aparentemente, estamos diante de duas construções possíveis, mas, como é sabido, o Diabo mora no detalhe, o que nos leva a continuar mais um pouco esta reflexão. O que não se pode afirmar com certeza, na última versão, é que as mercadorias tenham sido embarcadas. Nega-se aquilo que se poderia presumir, ou seja, que as tais mercadorias tenham sido embarcadas. O complemento "ou não", nessa construção, é redundante.

Veja com atenção as duas possibilidades de construção:

"...não pode afirmar com certeza que as mercadorias referentes àqueles contratos tenham sido embarcadas."

"...não pode afirmar com certeza se as mercadorias referentes àqueles contratos foram embarcadas ou não."

-  -


- "Paralelo a", mas "em paralelo com" -

"O depoimento do executivo foi dado à Polícia Civil, numa investigação que corria em paralelo à da PF."

O fragmento acima suscita uma questão de regência nominal. A palavra "paralelo" pode reger complementos introduzidos pelas preposições "a" ou "com", mas cada qual em uma situação definida. O uso de uma ou outra preposição, portanto, não é indiscriminado.

Para compreender essa questão, temos de distinguir o adjetivo "paralelo" do substantivo "paralelo". Na condição de adjetivo, a palavra rege complemento encabeçado pela preposição "a"; na condição de substantivo, rege complemento iniciado pela preposição "com".

Dizemos, por exemplo, que o desenvolvimento da economia é paralelo ao da educação ou que o amadurecimento emocional dos jovens é paralelo ao seu desenvolvimento intelectual etc. Nesses casos, estamos lidando com o adjetivo "paralelo" (no sentido de "simultâneo"), que concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Assim, é possível dizer que uma pessoa tem ideias paralelas às de outra ("semelhantes", "afins") ou que a situação de um é paralela à de outro etc.

Numa construção como "traçar um paralelo", em que "paralelo" é um substantivo, o complemento deve ser iniciado por "com". Assim: "Traçou um paralelo da obra do escritor com a biografia dele". Nesse caso, também seria correto dizer que "traçou um paralelo entre a obra o escritor e a biografia dele", substituindo o par "de... com" pela correlação "entre... e".

Precedido da preposição "em", o substantivo "paralelo" integra a expressão "em paralelo com". Assim, pode-se dizer que uma coisa corre em paralelo com outra. Segue, abaixo, o trecho corrigido:

"O depoimento do executivo foi dado à Polícia Civil, numa investigação que corria em paralelo com a da PF."

-  -


- Raios ultravioleta e raios infravermelhos -

"Imagens mostram a mesma pintura do italiano Giotto feita na capela Peruzzi, em Florença, vista sem e com raios ultravioletas..."

O comportamento dos nomes das cores quanto à flexão merece algumas observações. Distinguem-se, no português atual, basicamente dois grupos: o de nomes de cores propriamente ditos (azul, verde, vermelho, amarelo, preto, branco etc.) e o de outros nomes, que, por extensão, designam cores (rosa, laranja, cinza, violeta etc.).

À primeira vista, pode o leitor não ter percebido a diferença entre uns e outros. O fato é o seguinte: os do primeiro grupo funcionam como adjetivos e, nessa condição, flexionam-se em gênero e número para concordar com os substantivos a que se referem (olhos azuis, camisas verdes, carro vermelho, casa amarela etc.), já os do segundo, originalmente substantivos, mesmo em função adjetiva, não sofrem flexão (camisas rosa, calças laranja, ternos cinza, vestidos violeta).

Aqueles termos que nomeiam outros seres, que não as cores propriamente ditas, ficam invariáveis (vários deles costumam ser antecedidos da expressão "cor de"), os que nomeiam as próprias cores variam em gênero e número. Assim: "dois ternos cinzentos" ou "dois ternos cinza" ("cinzento" é o nome da cor; "cinza" nomeia a cor, mas como extensão de seu sentido original, isto é, um "terno cinza", por exemplo, é um terno da cor da cinza).

É esse o raciocínio que nos leva à distinção entre "raios ultravioleta" (sem plural, pois "violeta" é o nome original de uma flor, que, por extensão nomeia a cor) e "raios infravermelhos" (com a desinência "-s", de plural, em concordância com o substantivo "raios", pois "vermelho" é um nome de cor).

Veja, abaixo, a correção:

"Imagens mostram a mesma pintura do italiano Giotto feita na capela Peruzzi, em Florença, vista sem e com raios ultravioleta..."

-  -


- Ar condicionado ou ar-condicionado? -

"O Daesp prometeu instalar até 'meados de abril' o sistema de ar-condicionado central do terminal de passageiros do Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto."

Existe, sim, diferença entre "ar-condicionado" (com hífen) e "ar condicionado" (sem hífen). A grafia com hífen designa o aparelho também chamado de "condicionador de ar". Trata-se, nesse caso, de um substantivo composto, portanto grafado com hífen. Assim: "Pediu a ela que desligasse o ar-condicionado" (aparelho).

Sem o hífen, temos uma locução que designa o ar resfriado ou aquecido por meio do condicionador de ar. Assim: "O ar condicionado resseca a pele".

Se a construção for "aparelho de ar condicionado" ou "sistema de ar condicionado", não se usa o hífen.

Abaixo, o texto corrigido:

O Daesp prometeu instalar até "meados de abril" o sistema de ar condicionado central do terminal de passageiros do Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto.

-  -


- Verbo Responder -

"...responder dúvidas sobre o Imposto de Renda"

Seguir a regência verbal orientada pela norma culta, às vezes, significa fazer escolhas diferentes daquelas que ouvimos na maior parte das vezes.

São vários os exemplos disso. O verbo "assistir" é, muitas vezes, empregado como se fosse transitivo direto, em construções como "assistiu o jogo", em lugar de "assistiu ao jogo", construção preconizada pela norma culta. O verbo "obedecer" segue a mesma linha: muitas vezes tratado como transitivo direto ("obedeceu o regulamento"), quando, segundo a norma culta, requer a preposição "a" ("obedeceu ao regulamento").

Cada caso tem sua explicação; normalmente, ocorre o cruzamento com a regência de um verbo sinônimo, mas de comportamento diferente. "Ver", transitivo direto, é sinônimo de "assistir", donde a influência na regência deste. "Respeitar", transitivo direto, é sinônimo de "obedecer", provavelmente influenciando o comportamento deste.

O verbo "responder", que aparece no fragmento destacado, é transitivo indireto mesmo quando seu complemento não é uma pessoa. No padrão culto, temos, portanto, "responder a dúvidas" (sem artigo) ou "responder às dúvidas" (com artigo).

O caso desse verbo, em particular, é curioso. A tendência do falante a omitir a preposição "a" deve-se, provavelmente, ao fato de que o verbo "responder" parece pertencer ao grupo dos verbos bitransitivos com objeto direto de "coisa" e objeto indireto de "pessoa" (do tipo "entregar algo a alguém", "pedir algo a alguém", "emprestar algo a alguém", "perguntar algo a alguém", "dizer algo a alguém" etc.).

Na verdade, ele pode inscrever-se nesse grupo, mas desde que tenha os dois objetos simultaneamente: "respondeu a pergunta ao jornalista", caso em que é útil a distinção entre objeto direto e objeto indireto. Havendo um só objeto, seja ele qual for, será indireto. Assim: "respondeu à pergunta" ou "respondeu ao jornalista" em frases diferentes.

"Responder" comporta-se como transitivo direto quando tomado como verbo dicendi, ou seja, quando anuncia uma declaração. Assim: "Fulano respondeu que aquilo não lhe dizia respeito".

Abaixo, a correção do trecho selecionado:

"...responder a dúvidas sobre o Imposto de Renda..."

-  -


- Organização sintática aumenta clareza da frase -

Sem saber, motorista pega trânsito quando corredor é liberado.

Eis um título curioso, daqueles que só se esclarecem mesmo depois de lido o texto que encimam. À primeira vista, parece que o motorista "pega trânsito sem saber" e que o faz quando o corredor (faixa exclusiva de ônibus) é liberado para o trânsito de veículos particulares, coisa que ocorre em determinados horários.

Alterar a ordem dos termos certamente tornará o texto mais claro, mas é importante observar que aqui não se trata de um simples deslocamento da oração reduzida "sem saber". Em primeiro lugar, "saber" é um verbo transitivo direto, portanto questiona-se: quem não sabe o quê? Os motoristas não sabem que o corredor está liberado em certos horários, por isso congestionam as outras faixas (ou "pegam trânsito").

Assim, a alteração que se propõe em nome da clareza e da organização sintática pressupõe a transformação da oração subordinada adverbial temporal ("quando corredor é liberado") em subordinada substantiva objetiva direta, complemento do verbo "saber" ("que corredor está liberado"). A ideia de tempo contida na conjunção "quando" pode ser resgatada pela substituição do verbo "ser" pelo verbo "estar", que indica "ser em um dado momento".

Muito bem. Feita a transformação, temos o seguinte:

Motorista pega trânsito sem saber que corredor está liberado.

-  -


- Ordem dos termos e uso do pronome relativo -

"'CQC' 2010 resgata TV doada para escola que foi desviada"

O título que encabeça matéria jornalística sobre o programa de TV "CQC" bem ilustra as possibilidades de ambiguidade que a ordem dos termos em português, por vezes, ocasiona.

A equipe do referido programa televisivo doou a uma escola pública uma televisão, que foi desviada por um dirigente da instituição. Como o aparelho continha um GPS, foi possível localizá-lo. A frase que se lê no título, entretanto, permite entender que a escola foi desviada - por mais que o contexto se encarregue de pôr as ideias no lugar, o ideal, ao redigir, é procurar a ordem que favoreça a leitura unívoca do texto.

Às vezes, pode parecer difícil, mas sempre há um modo de fazer isso. No caso do período destacado, em que a um só elemento ("TV") se prendem duas orações adjetivas (a primeira, "doada para escola", está reduzida de particípio e a segunda, "que foi desviada", apresenta o pronome relativo), a solução gramatical é usar o pronome relativo uma só vez (imediatamente depois do termo a que se refere) e, com o auxílio de duas vírgulas bem colocadas, intercalar a outra oração.

Outras formulações seriam possíveis para evitar esse tipo de defeito de construção sintática. Abaixo, a reformulação com base no princípio gramatical:

"CQC" 2010 resgata TV, que, doada para escola, foi desviada.

Outra sugestão, sem pronome relativo (com orações reduzidas de particípio):

"CQC" 2010 resgata TV com GPS doada a escola e desviada.

(a ausência do artigo antes de "escola" indica tratar-se de uma escola ainda não mencionada - é a estrutura normalmente empregada nos títulos jornalísticos)

-  -


- Pronome relativo atrai pronome átono -

"Cercada por três músicos, que dividiam-se entre bateria, sampler, sintetizadores, xilofones, ela soltou a voz..."

A posição do pronome átono é o problema da passagem acima. Os apreciadores de recursos mnemônicos vão-se lembrar da sentença "o que atrai o se", entendido o "que" como qualquer pronome relativo e também como conjunção subordinativa e o "se" como qualquer pronome pessoal do caso oblíquo átono.

O recurso é útil e, num caso simples como o do trecho destacado, seria suficiente para que se evitasse a colocação inadequada. Bastava aproximar "que" e "se". É bom lembrar, entretanto, que todas as conjunções subordinativas (não só o "que") são fatores de próclise, ou seja, nas orações por elas encabeçadas, o pronome antecede a forma verbal. Assim: Houve momentos de grande emoção quando pai e filho se reencontraram.

Observe que a conjunção ("quando"), por ser subordinativa, é o elemento gerador da próclise, que ocorre mesmo havendo outros termos entre a conjunção e o pronome átono. Outras conjunções exercem esse mesmo tipo de "força atrativa" (embora, se, caso, porque, enquanto, que etc.). As conjunções coordenativas (e, mas, porém, contudo, todavia, entretanto, pois, portanto etc.) não provocam próclise, exceto o "nem", que é uma partícula negativa, outra das categorias que "atraem" os pronomes átonos.

Há muito a ser dito sobre o tema, ao qual voltaremos oportunamente. Abaixo, a correção:

"Cercada por três músicos, que se dividiam entre bateria, sampler, sintetizadores e xilofones, ela soltou a voz..."

-  -


- Sessão ou seção? -

"Ninguém vai à sessão eleitoral calculando que 'Lula fez quatro casas, e FHC, apenas duas, logo, voto no Lula'."

A frase ilustra a confusão que as pessoas estão sujeitas a fazer quando o assunto são os homônimos da língua portuguesa.

O termo "sessão" emprega-se para delimitar uma atividade praticada durante algum tempo. Daí exemplos como "sessão de fisioterapia", "sessão de massagem", "sessão plenária", "sessão espírita", "sessão de autógrafos" etc.

Já "seção", da mesma origem do verbo "secionar" (ou "seccionar"), que significa cortar em partes ou pedaços, tem o sentido de "divisão". Daí seu uso como sinônimo de "setor" ou de "departamento". Assim: "seção de brinquedos", "seção de pessoal", "seção eleitoral" etc. Também são seções as partes de um trabalho escrito, por exemplo, ou mesmo as subdivisões de um jornal: "seção de esportes", "seção de política" etc.

Num jornal, temos, por exemplo, uma "seção de cinema" (parte do jornal em que é informada a programação das salas de exibição), mas, quando vamos assistir a um filme no cinema, vamos a uma "sessão de cinema".

Há uma terceira grafia cuja pronúncia é idêntica à de sessão e seção. Trata-se da palavra "cessão", que designa o ato de ceder. Por exemplo: "cessão de direitos autorais", "cessão de terras" etc.

Abaixo, a frase reformulada e corrigida:

Ninguém vai à seção eleitoral fazendo cálculos do tipo "Lula fez quatro casas, e FHC, apenas duas, logo voto no Lula".

-  -


- "Focar" e "impactar" são transitivos diretos -

"É preciso focar no afeto", diz pedagoga.

É bom que se diga, sem rodeios, que o verbo "focar", sinônimo de "focalizar", é transitivo direto. Seu complemento não comporta, portanto, a preposição "em".

A preocupação da referida pedagoga, com certeza, era "focar o afeto". É possível que a confusão, que acomete também o uso do verbo "impactar" (outro transitivo direto), tenha origem nas construções em que se emprega o substantivo, pois este requer o complemento preposicionado. Assim: focar o afeto, mas [ter] foco no afeto.

O mesmo ocorre com "impactar". Uma medida política pode impactar a economia de um país ou causar impacto na economia de um país.

Abaixo, a correção:

"É preciso focar o afeto", diz pedagoga.

-  -


- Pronome demonstrativo garante coerência da frase -

"Tarifa só fica atrás de Japão, França e Austrália, que têm renda superior à do brasileiro"

Segundo o subtítulo de certa reportagem sobre as tarifas de telefonia celular no Brasil, a nossa tarifa é inferior apenas ao Japão, à França e à Austrália. Dito dessa maneira, fica mais fácil perceber em que armadilha caiu o redator. É evidente que a tarifa não pode ser inferior a um país; ela é inferior à tarifa de outro país.

Faltou, então, o uso de um pronome demonstrativo que substituísse a palavra "tarifa", evitando a sua repetição e, ao mesmo tempo, garantindo a coerência do texto, mesmo procedimento, aliás, que o redator corretamente usou na segunda parte da frase ("renda superior à do brasileiro", ou seja, "renda superior à renda do brasileiro").

O pronome que faltou deveria estar no plural em alusão às tarifas dos três países arrolados - e os nomes dos países deveriam ser antecedidos de artigo, característica da língua portuguesa. Assim:

"Tarifa só fica atrás das do Japão, da França e da Austrália, que têm renda superior à do brasileiro"

-  -


- Uso do hífen em "sócio-fundador" e "socioeconômico" -

"...a Brenco foi idealizada pelo empresário Ricardo Semler e tinha como sócios fundadores bilionários como James Wolfensohn (ex-presidente do Banco mundial), Steve Case (fundador da AOL) e Vinod Kohsla (um dos findadoresda Sun Microsystems), entre outros."

Mesmo depois da reforma ortográfica, que, pelo menos em tese, simplifica o uso do hífen, há casos que continuam provocando confusão. Um deles está ilustrado no fragmento acima.

De acordo com a nova regra, o prefixo "sócio-" hifeniza-se apenas diante de termos iniciados pelas letras "o" (idêntica à letra final do próprio prefixo) e "h". Nos demais casos, ocorre a justaposição (sem hífen). Por esse motivo, continuamos grafando sem hífen termos como "socioeconômico", "socioeducativo", "sociobiologia" ou "sociopata", por exemplo, em que desaparece o acento agudo do prefixo. Esse acento permaneceria numa hipotética forma como "sócio-habitacional" por causa do hífen.

Já o caso que aparece no fragmento destacado é diferente de todos esses, pois, em "sócio-fundador", o elemento "sócio" não é um prefixo. Trata-se, agora, do substantivo "sócio", que, ao entrar na formação de uma palavra composta, sempre será acentuado e separado do segundo termo por um hífen. É por ser um substantivo que se pluraliza normalmente mesmo quando integra um composto. Assim: sócio-diretor/ sócios-diretores, sócio-gerente/ sócios-gerentes, sócio-fundador/ sócios-fundadores etc.

Veja, abaixo, a correção:

"...a Brenco foi idealizada pelo empresário Ricardo Semler e tinha como sócios-fundadores bilionários como James Wolfensohn (ex-presidente do Banco mUndial), Steve Case (fundador da AOL) e Vinod Kohsla (um dos findadoresda Sun Microsystems), entre outros."

- Topo -


- "Porque" ou "por que"? -

(1) "Ela deu a entender que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só não privatizou Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal por que não conseguiu."

(2) "Por quê está promovendo a Calc (Cúpula da América Latina e Caribe)?"

A lição não é das mais novas, mas o problema parece ainda persistir. Quando se empregam, afinal, as formas "por que" e "porque"? Quando elas recebem acento?

No primeiro caso (1), o que temos é (ou deveria ser) uma conjunção, um elemento capaz de articular duas orações estabelecendo o nexo de causa, portanto a forma correta seria "porque". Assim: o ex-presidente FHC não privatizou as empresas porque não conseguiu. A oração "porque não conseguiu" exprime a causa do fato registrado na anterior; esse tipo de oração pode ser encabeçado por conectivos como "porque", "visto que", "já que" etc. Quando anteposta à principal, a oração causal também pode ser iniciada pela conjunção "como": "Como não conseguiu, não privatizou as empresas".

Vale, então, raciocinar por substituição: "porque" é permutável com as outras conjunções causais (visto que, já que, como etc.).

A forma "por que" é o advérbio interrogativo de causa. Emprega-se, portanto, quando indagamos a causa ou motivo de algo: "Por que está promovendo a Calc?" (2). Mesmo que a interrogação não seja direta (sem o ponto de interrogação), é o advérbio que deve ser empregado: "Não sabemos por que está promovendo a Calc", "Ele terá de explicar a todos por que está promovendo a Calc", "Vamos descobrir por que ele está promovendo a Calc" (em todos esses casos, a pergunta está subentendida).

O acento na forma adverbial só ocorre quando o termo está em posição tônica (próximo, portanto, ao ponto final ou à última pontuação da frase). Assim: "Está promovendo a Calc por quê?", "Não sabemos, mas vamos descobrir por quê".

Já "porquê", assim, com acento, é a substantivação da conjunção porque. O termo é permutável com "motivo", "causa" e sinônimos. Normalmente antecedido de um determinante, aparece em situações como as seguintes: "Não sabemos o porquê de sua atitude", "Cada um tem seus porquês" etc.

Abaixo, os fragmentos corrigidos. Observe a colocação dos artigos (necessários) antes dos nomes das empresas:

(1) Ela deu a entender que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só não privatizou a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal porque não conseguiu.

(2) Por que está promovendo a Calc (Cúpula da América Latina e Caribe)?

-  -


- Pronomes demonstrativos são fatores de próclise -

"Para Schwartz, isso deve-se ao fato de haver então uma definição mais evidente sobre o que era público e privado."

A posição dos pronomes átonos em relação ao verbo obedece a certa regularidade. Como são complementos verbais, na ordem direta (a mais natural na língua) tendem a aparecer depois da forma verbal (ênclise): "Os colegas despediram-se dele", "A reforma trouxe-nos grandes benefícios" etc.

Ocorre, entretanto, que essa ordem sofre alteração em diversas situações. Com os verbos conjugados no futuro e com aqueles que estão no particípio, por exemplo, a ênclise é impossível.

Já a próclise (colocação do pronome átono antes da forma verbal) surge, por exemplo, nas orações subordinadas desenvolvidas (aquelas encabeçadas por conectivos): "Espero que me traga boas notícias de lá" (oração substantiva), "O homem que lhe entregou o pacote saiu apressado" (oração adjetiva), "Quando lhe disseram aquilo, quase desmaiou" (oração adverbial).

Há ainda vários outros casos de próclise. As orações negativas são talvez o mais conhecido deles. Assim: "Não me diga isso!", "Nunca lhe faria esse tipo de favor". Os advérbios, bem como os pronomes demonstrativos e indefinidos, também são fatores de próclise. Assim: "Infelizmente se saiu mal no exame", "Isso me traz boas lembranças", "Todos o aplaudiram de pé".
Nas chamadas orações optativas (aquelas que exprimem desejos), desde que o sujeito esteja no início do período, também é a próclise que se emprega: "Macacos me mordam", "A terra lhes seja leve" (M. Assis).

No fragmento em questão, o sujeito do verbo é o pronome demonstrativo "isso", um dos chamados "fatores de próclise". Veja, abaixo, o texto corrigido:

Para Schwartz, isso se deve ao fato de haver então uma definição mais evidente sobre o que era público e o que era privado. 

-  -

- Página Inicial - - - Português -























Validador

CSS válido!

Secretaria de Estado da Educação do Paraná
Av. Água Verde, 2140 - Água Verde - CEP 80240-900 Curitiba-PR - Fone: (41) 3340-1500
Desenvolvido pela Celepar - Acesso Restrito