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- DICAS de PORTUGUÊS -

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"Se todos nós pensarmos um pouco mais positivamente e agirmos com um pouco mais de energia otimista, talvez consigamos melhorar o país. Caso não mudemos o país, talvez diversifiquemos o nosso próprio ânimo, o que já é excelente."

Dílson Catarino

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- Abusivo quer dizer excessivo - Por Thaís Nicoleti

- Sob ou Sobre - Por Thaís Nicoleti

- Há 20 dias, a 20 dias - Por Thaís Nicoleti

- Reforma Ortográfica - Por Thaís Nicoleti

- Paralelismo - Por Dílson Catarino 

- Conjugação Verbal - Por Dílson Catarino

- Verbo "Pedir" - Por Dílson Catarino

- Pronomes Demonstrativos - Por Dílson Catarino

- Verbo "Entreter" - Por Dílson Catarino

- Conjunção Condicional - Por Dílson Catarino

- Concordância do pronome "cujo" - Por Thaís Nicoleti

- "Reaver" é verbo defectivo - Por Thaís Nicoleti

- "Pró-forma" ou "pro forma"? - Por Thaís Nicoleti

- O Hífen e a Reforma Ortográfica - Por Thaís Nicoleti

- Verbos no futuro rejeitam ênclise - Por Thaís Nicoleti

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 - Abusivo -

"Prisão é abusiva', diz advogado"

"O diretor fala abertamente da infância complicada que teve, com o pai abusivo que batia nele e a juventude marcada por drogas que, segundo ele, o levaram a ter um ataque do coração."

Os fragmentos acima ensejam uma questão semântica sobre o uso do adjetivo "abusivo". No primeiro caso, não há problema, pois a prisão pode ser um ato abusivo, em que há excesso.

O que chama a atenção, do ponto de vista linguístico, é o emprego do termo no segundo caso. "Abusivo" quer dizer "excessivo" - preços abusivos, taxas abusivas, juros abusivos, cobrança abusiva, tudo isso nos é familiar.

A expressão "pais abusivos" causa estranheza talvez porque, embora compreendamos que se trata de pais que cometem abusos contra seus filhos, o adjetivo "abusivo" não qualifica as pessoas, mas suas ações. Se cometem abuso sexual, melhor dizer que são "abusadores", não "abusivos".

No texto em questão, bastaria retirar o adjetivo "abusivo":

"O diretor fala abertamente da infância complicada que teve, com o pai que batia nele, e da juventude marcada por drogas, que, segundo ele, o levaram a ter um ataque do coração."

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- Sob ou Sobre -

"Diplomatas franceses, por sua vez, dizem que a França está sobre pressão de Espanha e Portugal."

Basicamente, as preposições "sob" e "sobre" têm significados opostos ("sob" indica o que está embaixo,"sobre" indica o que está em cima). Assim, um objeto pode estar sobre uma mesa, mas também pode estar sob a mesa - depende da posição em que se encontra.

É fato, entretanto, que essas preposições têm muitos outros usos, o que dá margem para alguma confusão. Um terno, por exemplo, é feito sob medida - e isso quer dizer que é feito de acordo com a medida do cliente. Uma pessoa pode estar sob o efeito de uma medicação, um estabelecimento comercial pode estar sob nova direção, alguém pode agir sob a influência de outrem ou pode ter nascido sob certo signo astrológico.

Também se pode dizer que um artista saiu do palco sob aplausos (ou sob vaias), que uma testemunha fez declarações sob juramento ou que determinado fato ocorreu sob o reinado de determinado soberano. Uns podem estar sob a proteção divina, outros podem estar sob pressão.

Já a preposição "sobre" pode aparecer com o sentido de "a respeito de" (discorrer sobre política e economia), de "mediante" (emprestar dinheiro sobre hipoteca), de "em nome de" (jurar sobre a felicidade dos filhos), de "com base em" (julgar alguém sobre informações imprecisas) etc.

Abaixo, o fragmento corrigido:

"Diplomatas franceses, por sua vez, dizem que a França está sob pressão da Espanha e de Portugal".

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- Há 20 dias, a 20 dias -

"Há 20 dias do início do prazo para começar as obras em estádios para a Copa-2014, ninguém pediu recursos ao BNDES."

Não é nova a confusão entre a preposição "a" e a forma "há", do verbo "haver", na indicação de tempo. O mais comum, entretanto, é que apareça a preposição no lugar no verbo, diferentemente do que se vê no trecho acima.

Quando se trata de tempo decorrido, usa-se a forma verbal, portanto "Há 20 dias, teve início a reforma do estádio", ou seja, "Faz 20 dias que a reforma do estádio teve início".

No fragmento selecionado, o que se pretende dizer é que faltam 20 dias para o início do prazo, portanto não se trata de tempo decorrido. Nesse caso, emprega-se a preposição "a", que indica distanciamento. Temos, portanto, a construção "A 20 dias do início do prazo...", isto é, "20 dias antes do início do prazo".

Essa construção é similar a outras bastante corriqueiras, como "daqui a pouco", "daqui a duas horas, "daqui a 20 dias", em que a preposição indica apenas a ideia de distanciamento.

Veja, abaixo, o texto corrigido:

"A 20 dias do início do prazo para começar obras em estádios para a Copa-2014, ninguém pediu recursos ao BNDES." 

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- Reforma Ortográfica -

"Estreante e Copa Davis agitam Costa do Sauípe"

"Um exemplo é Jaron Lanier, primeiro cientista da computação que hoje lança avisos sobre o 'pensamento de colmeia' e o 'maoísmo digital' que estariam tomando conta da web (...)."

Que terão em comum a Costa do Sauipe e o maoismo? Não muita coisa, mas, com certeza, uma, que diz respeito ao Acordo Ortográfico em vigor desde o ano de 2009.

Os termos "Sauipe" e "maoismo" enquadram-se em uma das regras de acentuação que sofreram alteração. Observe que, nos dois casos, a sílaba tônica (representada pelo "i") é precedida de um ditongo. Por esse motivo, o acento gráfico é uma redundância, abolida com a reforma.

Para compreender melhor a questão, note que, em termos como "saída" ou "saúde", o acento é absolutamente necessário, pois a sua supressão levaria à ditongação (a palavra "saida", sem o acento, seria lida como "Almeida"; "saude", sem o acento, teria pronúncia semelhante à de "fraude"). Assim, para marcar o hiato (vogais em sílabas separadas), o acento é necessário.

Não ocorre, porém, o risco de ditongação nas palavras em que o hiato já é precedido por um ditongo (feiura, baiuca, Sauipe, maoismo). Assim, não há necessidade desse acento.

Veja, abaixo, as correções:

"Estreante e Copa Davis agitam Costa do Sauipe".

"Um exemplo é Jaron Lanier, primeiro cientista da computação que hoje lança avisos sobre o "pensamento de colmeia" e o "maoismo digital", que estariam tomando conta da web."

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- Paralelismo -

"O consumo moderado de álcool, manter um peso adequado..."

Segundo o "Dicionário Aurélio - Século XXI", paralelismo é "a estruturação semelhante de orações ou sintagmas em sequência", e sintagma é "o resultado da combinação de um determinante e de um determinado numa unidade linguística hierarquicamente mais alta, que pode ser uma palavra (p. ex.: vanglória, em que vã é determinante de glória), um constituinte de oração (p. ex.: As crianças pequenas choram, em que os adjuntos adnominais as e pequenas são determinantes de crianças), ou uma oração (p. ex.: O aluno aprendeu a lição, em que o predicado [aprendeu a lição] é determinante do sujeito [O aluno]).

Partindo dessas definições, chega-se à conclusão de que as frases de um texto bem estruturado têm de respeitar o paralelismo, ou seja, têm de ser estruturadas de tal maneira que as orações e seus termos sejam semelhantes, por isso, ao utilizar-se de elementos coordenados (elementos que exercem a mesma função sintática), eles devem pertencer à mesma classe gramatical.

Vejamos, como exemplo de paralelismo inadequado, trecho de um artigo jornalístico:

O consumo moderado de álcool, a abstinência de tabaco, a estabilidade de parceiros, o exercício físico, manter um peso adequado, ter uma atitude positiva diante dos problemas e atingir um bom nível de estudos são os sete fatores que predizem um envelhecimento saudável.

Qual o sujeito do verbo "ser" no texto acima? Descobre-se, perguntando:

Quais são os sete fatores que predizem um envelhecimento saudável?

Resposta: O consumo moderado de álcool, a abstinência de tabaco, a estabilidade de parceiros, o exercício físico, manter um peso adequado, ter uma atitude positiva diante dos problemas e atingir um bom nível de estudos.

Observe que os elementos coordenados desse sujeito são quatro substantivos (consumo, abstinência, estabilidade e exercício) e três verbos (manter, ter e atingir). Essa é a inadequação da frase. Esses elementos devem pertencer à mesma classe gramatical: todos devem ser substantivos ou verbos.

Adequando o paralelismo da frase, teremos as seguintes possibilidades:

O consumo moderado de álcool, a abstinência de tabaco, a estabilidade de parceiros, o exercício físico, a manutenção de um peso adequado, a posse de uma atitude positiva diante dos problemas e a obtenção de um bom nível de estudos são os sete fatores que predizem um envelhecimento saudável.

Consumir moderadamente álcool, abster-se de tabaco, estabilizar-se com um parceiro, exercitar-se fisicamente, manter um peso adequado, ter uma atitude positiva diante dos problemas e atingir um bom nível de estudos são os sete fatores que predizem um envelhecimento saudável.

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- Conjugação Verbal -

"Se a realidade nos parece pouco bela, não a enfeiemos mais!"

Ler mais livros, revistas e jornais, ir mais ao cinema, interessar-nos mais pela evolução de nossa inteligência, enfim tentar crescer intelectualmente no dia a dia, para não nos estagnarmos no tempo.

Progredindo o intelecto, deixam-se de cometer erros gramaticais crassos e aprende-se sem muito esforço o que é considerado mais difícil. Por exemplo, a frase apresentada; qual o erro cometido por mim hoje? Resposta: o verbo "enfear", que significa "tornar feio, desfigurar".

A conjugação dele é idêntica à de todos os verbos terminados em -ear. Esses verbos, no presente do indicativo ("Todos os dias, eu ...") e no presente do subjuntivo ("Espero que eu ..."), receberão a letra i após o e somente nas pessoas eu, tu, ele e eles:

Todos os dias eu enfeio, tu enfeias, ele enfeia e eles enfeiam;

que eu enfeie, que tu enfeies, que ele enfeie e que eles enfeiem.

As outras pessoas desses dois tempos (nós e vós) e todos os outros tempos verbais não têm essa letra i, ficando assim:

Todos os dias nós enfeamos, vós enfeais;

que nós enfeemos, que vós enfeeis;

ontem eu enfeei, tu enfeaste, ele enfeou, nós enfeamos, vós enfeastes, eles enfearam.

O mesmo ocorre com todos os verbos terminados em -ear (passear, frear, refrear, cear, patentear, franquear, rodear...). A frase apresentada, então, deverá ser modificada assim:

"Se a realidade nos parece pouco bela, não a enfeemos mais!"

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- Verbo "Pedir" -

"Ela pediu para que eu levasse os documentos..."

Essa é simples: o problema da frase apresentada é que o verbo "pedir" é verbo transitivo direto e indireto, ou seja, possui dois complementos: um sem preposição, outro com.

"Quem pede, pede algo a alguém", e não "quem pede, pede para alguém praticar alguma ação". A preposição "a" ou "para" deverá referir-se à pessoa, e não à coisa pedida: "Ela pediu algo a mim" ou "ela pediu algo para mim". O pronome oblíquo átono também poderá ser utilizado: "Ela pediu-me algo".

A frase apresentada, então, poderá ser corrigida assim:

Ela pediu-me que levasse os documentos.
Ou:
Ela pediu a mim que levasse os documentos.
Ou:
Ela pediu para mim que levasse os documentos.

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- Pronomes Demonstrativos -

É preciso que seja definido um marco regulatório adequado e transparente. Isto é necessário para evitar muitos problemas.

Deve-se escrever este, esse ou aquele? isto, isso ou aquilo? esta, essa ou aquela? Ó, dúvida cruel!

Usa-se esse, essa, isso para referência a elemento, frase ou oração anterior. Por exemplo:

"O saneamento tem grande efeito sobre o bem-estar da população. Por isso, é inexplicável o fato de esse setor não se ter tornado prioridade do atual governo."

"A crise de energia demonstrou que a introdução de um novo modelo nos setores de infra-estrutura envolve riscos. Isso não significa, porém, que o modelo privado seja inviável."

Usa-se este, esta, isto para referência a elemento, frase ou oração posterior. Por exemplo:

"Essas questões não são tão complexas quanto às de outros setores, como o de telecomunicações e o de energia, sendo este o mais importante de todos. (O pronome este refere-se ao elemento imediatamente anterior, ou seja, a setor de energia)."

"É preciso que o Executivo promova as reformas necessárias no saneamento básico, pois este é o problema mais grave de hoje. (O pronome este refere-se ao elemento imediatamente anterior, ou seja, a saneamento básico)."

Em uma enumeração de dois elementos, usa-se este, esta para referência ao segundo elemento e aquele, aquela para o primeiro. Por exemplo:

"Essas questões não são tão complexas quanto às de outros setores, como o de energia e o de telecomunicações, sendo aquele mais importante do que este. (O pronome aquele refere-se ao primeiro elemento da enumeração, ou seja, a setor de energia; o pronome este refere-se ao segundo elemento da enumeração, ou seja, a setor de telecomunicações)."

"A privatização e a concorrência em substituição a um modelo estatal envolvem riscos, pois aquelas apresentam a incógnita da futura administração; este, a garantia do envolvimento da sociedade. (O pronome aquela refere-se aos primeiros elementos da enumeração, ou seja, a privatização e concorrência; o pronome este refere-se ao segundo elemento da enumeração, ou seja, a modelo estatal)."

Sabendo isso (e não isto), constatamos que a frase apresentada está inadequada gramaticalmente. Corrigindo-a, teremos:

É preciso que seja definido um marco regulatório adequado e transparente. Isso é necessário para evitar muitos problemas.

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- Verbo "Entreter" -

"Os bons livros entretêem as crianças".

Essa frase consta de um fôlder de propaganda de uma livraria de minha cidade. A intenção é boa, mas a falha gramatical desensina os que leem a frase. Mas, será que todos veem a inadequação? Certamente não, já que poucos estudam nosso idioma com a intenção de aprender de fato; os demais creem que a frase esteja adequada ao padrão culto, uma vez que a comunicação foi eficaz, ou seja, quem ler o fôlder, entende a mensagem.

Os interessados em falar adequadamente, porém, devem saber que só se duplica o "e" na terceira pessoa do plural (eles) do presente do indicativo (Todos os dias...) dos verbos crer, ler e ver e na terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo (espero que...) do verbo dar e dos derivados desses quatro verbos: descrer, reler, antever, desdar. As formas verbais, porém, não são mais acentuadas. Por exemplo:

Vocês creem em mim?

Eles leem poucos livros.

Eles se veem todos os sábados.

Espero que vocês se deem bem na vida.

Já na conjugação dos verbos "ter" e "vir" e seus derivados não ocorre tal duplicação. Na terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir, coloca-se acento circunflexo sobre o "e":

Eles têm; eles vêm. Isso ocorre para diferençar o singular do plural: Ele tem; ele vem.

Os derivados de "ter" e de "vir", além de terem o acento circunflexo no plural, têm acento agudo no singular, em virtude de formarem uma palavra oxítona terminada em "em" (Todas as palavras terminadas em "em" cuja última sílaba seja mais forte que as demais recebem acento agudo no "em": "armazém", "neném", "também", "amém").

Mas, como saber se um verbo é derivado de ter ou de vir? Simples: conjugue-o na primeira pessoa do singular (eu) do presente do indicativo; se esta estrutura verbal for terminada em "tenho", o verbo será derivado de ter; se for terminada em "venho", será derivado de vir. Por exemplo:

Eu retenho - ele retém - eles retêm.

Eu mantenho - ele mantém - eles mantêm.

Eu obtenho - ele obtém - eles obtêm.

A frase apresentada contém o verbo "entreter", derivado de "ter", já que "eu entretenho". Ela deveria, então, ser assim reescrita:

"Os bons livros entretêm as crianças".

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- Conjunção Condicional -

"Se eu não chego a tempo, acontecia a maior confusão".

Em lugar algum do mundo, ocorrem as expressões idiomáticas existentes em nosso país. Essa é uma frase esplendidamente brasileira. A inadequação gramatical contida nela é a utilização dos dois verbos conjugados em tempos estranhos à norma da língua culta.

A gramática padrão exige que, quando se usar a conjunção condicional "se", o verbo seja conjugado no tempo denominado futuro do subjuntivo ou no pretérito imperfeito do subjuntivo. Este possui a desinência verbal "sse"; aquele caracterizamos com a frase "Amanhã, quando eu...". Por exemplo:

"Se eu estudasse mais..." - pretérito imperfeito do subjuntivo.

"Se eu estudar mais..." - futuro do subjuntivo.

"Se eu pusesse a casa em ordem..." - pretérito imperfeito do subjuntivo.

"Se eu puser a casa em ordem..." - futuro do subjuntivo.

A utilização da conjunção condicional exige que outro verbo participe do período; esse verbo, quando o primeiro estiver no futuro do subjuntivo, deverá ser conjugado no futuro do presente do indicativo (amanhã certamente eu...), e, quando o primeiro estiver no pretérito imperfeito do subjuntivo, deverá ser conjugado no futuro do pretérito do indicativo, que possui a desinência "ria". Por exemplo:

"Se eu estudasse mais, seria mais culto."

"Se eu estudar mais, serei mais culto."

"Se eu pusesse a casa em ordem, seria mais organizado."

"Se eu puser a casa em ordem, serei mais organizado."

Chega-se à conclusão de que a frase apresentada, analisando o contexto em que ela estaria inserida, deve ser assim reescrita:

Se eu não chegasse a tempo, aconteceria a maior confusão.

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- Concordância do pronome "cujo" -

"O Leblon, cujos m² e IPTU ficam nas estratosferas, também tem os seus [marginais de estimação]."

O fragmento traz-nos a questão do emprego do pronome relativo "cujo" e de sua concordância. Em primeiro lugar, é bom lembrar que o pronome "cujo" tem valor adjetivo, pois sempre acompanha um substantivo, com o qual concorda em gênero e número.

Assim, dizemos "o rapaz cuja mãe" (ela é a mãe do rapaz), "a moça cujo pai" (ele é o pai da moça), "o escritor cujos livros" (os livros são do escritor), "a jovem cujas pernas" (as pernas são da jovem). Até aí, não há grandes dificuldades (é bom observar que não se usa artigo depois do "cujo" e de suas flexões).

O problema aparece quando se pretende antepor o pronome "cujo" a mais de um substantivo. Emprega-se, nesse caso, a regra de concordância nominal do adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos: ele concorda com o elemento mais próximo. É o que ocorre em construções como "Escolheu má hora e lugar", "Havia pouco dinheiro e comida" etc. Emprega-se o plural apenas quando se trata de nomes próprios: "Os grandes Machado e Bandeira", por exemplo.

Assim, há duas saídas: deixar o "cujo" em concordância com o mais próximo, de acordo com a regra, ou repeti-lo antes de cada núcleo. Abaixo, as duas sugestões:

O Leblon, cujo metro quadrado e cujo IPTU ficam na estratosfera, também tem os seus [marginais de estimação].

O Leblon, cujo metro quadrado e IPTU ficam na estratosfera, também tem os seus [marginais de estimação]. 

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- "Reaver" é verbo defectivo -

"O material estava até agora sob os cuidados do MIS, mas foi reavido pela família do autor."

"As máquinas passarão por perícia para ver se há pistas sobre o caminho que o dinheiro tomou e tentar reavê-lo."

O verbo "reaver" costuma provocar muitas dúvidas quanto à conjugação - e os motivos são vários. Há quem o tome por um derivado do verbo "ver" e tente flexioná-lo de acordo com o (falso) modelo, fazendo surgir a improvável forma "reaviu", mas também há quem o considere um simples verbo regular e tente flexioná-lo segundo o paradigma da segunda conjugação (criando um injustificado "reaveu"), enfim, nenhum desses atalhos leva à verdadeira conjugação desse verbo.

Estamos tratando de um verbo defectivo, ou seja, de um verbo que não tem conjugação completa. No presente do indicativo, tempo em que se manifesta a defectividade, observamos que "reaver" só se conjuga na primeira e na segunda pessoa do plural. Assim: nós reavemos e vós reaveis.

A consequência imediata disso é que esse verbo não terá as formas do presente do subjuntivo, que são derivadas da forma da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Para tornar isso menos abstrato, vamos a um exemplo: o verbo "pedir", no presente do indicativo, aparece na forma "eu peço". No presente do subjuntivo, o "o" final de "peço" converte-se em "a": "que eu peça". É por isso que se diz que o presente do subjuntivo "deriva" do presente do indicativo.

Assim, a defectividade atinge algumas pessoas do presente do indicativo e todo o presente do subjuntivo, bem como quase todo o imperativo. No caso específico do "reaver", um derivado do "haver", basta conjugá-lo nos tempos e pessoas em que o verbo de origem ("haver") apresenta a letra "v".

Assim, no presente do indicativo, temos as formas: eu hei, tu hás, ele há (sem a letra "v"), mas nós havemos (reavemos), vós haveis (reaveis) e eles hão (também sem "v"). O pretérito perfeito de reaver é "reouve" (como "houve"), o imperfeito é "reavia" (como "havia"), o mais-que-perfeito é "reouvera" (como "houvera") e assim por diante.

Os fragmentos de texto apresentam o uso correto do verbo, que, no particípio, faz "reavido" (como "havido") e, no infinitivo seguido de pronome vocálico, assume a forma "reavê".

Muito cuidado, porém, com essa grafia, pois ela não corresponde ao presente do verbo - ela é apenas o infinitivo que perde o "r" final diante dos pronomes "o", "a", "os" e "as". Assim: "É preciso reavê-lo, reavê-la, reavê-los, reavê-las".

No presente do indicativo, exceto na primeira e na segunda do plural (nós e vós), temos de lançar mão de um sinônimo: "Ele recupera", por exemplo.

Os verbos "falir" e "adequar" seguem o mesmo padrão de "reaver".

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- "Pró-forma" ou "pro forma"? -

"Declarações claramente pró-forma do governo daquele país sobre suas ações contra a Al Qaeda foram registradas sem nenhuma ponderação crítica."

Nesta fase inicial da nova ortografia, são muito comuns as dúvidas e hesitações na hora de escolher a grafia de algumas palavras. Quando o assunto é a colocação do hífen, pior ainda!

O prefixo "pró", assim como o "pré", não sofreu nenhuma alteração em decorrência da reforma ortográfica. Assim, as formações mais antigas mantêm o prefixo preso (procônsul, pronome, proveniência, prorrogar, promover), enquanto as mais recentes mantêm o hífen (pró-reitor, pró-socialista, pró-memória).

Que fazer, então, com as expressões latinas pro forma, pro labore, pro rata? A Academia Brasileira de Letras, responsável pela edição do "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", fez que se retirassem os acentos de "déficit" e "superávit", eliminando, portanto, as formas aportuguesadas. Hoje, grafamos "deficit" e "superavit" em latim, portanto sem acento.

Isso nos leva a imaginar que o mesmo valerá para a demais expressões latinas, mas o critério parece não ter sido o mesmo. O "Vocabulário" registra (portanto, é oficial) "pró-forma" (grafia aportuguesada) e "pro forma" (latim), "pró-labore" (grafia aportuguesada) e "pro labore" (latim), mas apenas "pro rata" (latim), sem equivalente aportuguesado.

Os dicionários (Aulete e Houaiss, por exemplo) não refletem exatamente isso. É mais comum na tradição da língua, nesses casos, o uso da expressão latina. "Pro forma" quer dizer "por formalidade", "para manter as aparências": "Deu algumas explicações pro forma"; "pro labore " é um termo usado em economia para designar os valores retirados pelos sócios de uma empresa em pagamento a trabalhos que eles próprios tenham prestado a ela; "pro rata", da mesma raiz de "ratear", significa "segundo uma proporção determinada": "dividir pro rata".

Enfim, vale o que está previsto no "Volp", com suas variações, mas, se optar pelo latim, o usuário da língua estará sempre certo: pro forma, pro labore e pro rata. Observe que, nesses casos, não há hífen nem acento na forma "pro".

Seria, portanto, correto também o seguinte texto:

"Declarações claramente pro forma do governo daquele país sobre suas ações contra a Al Qaeda foram registradas sem nenhuma ponderação crítica."

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- O Hífen e a Reforma Ortográfica -

Nova ortografia: boca de lobo e boca-de-lobo

A reforma ortográfica anulou algumas distinções com as quais já estávamos habituados - e sabemos que pares opositivos são úteis, fáceis de lembrar. Enfim, muita gente ainda não se acostumou com o desaparecimento de certos hifens.

Esse foi o caso, por exemplo, da locução "dia a dia" (equivalente a "dia após dia"), que se distinguia do substantivo composto "dia-a-dia" (grafia antiga), sinônimo de "cotidiano", exatamente pelo par de hifens. Com a reforma, a grafia se universalizou: "dia a dia" em todos os casos. Assim: "Dia a dia, ele se tornava mais áspero" e "Eram tarefas simples do dia a dia".

Os hifens de "pé-de-moleque" (grafia antiga) eram confortáveis porque garantiam o sentido figurado da expressão. No Sul e no Sudeste do país, o agora "pé de moleque" (sem os hifens) é um docinho de consistência dura, feito à base de açúcar e amendoim; no Nordeste, é um tipo de bolo preparado com a massa de mandioca puba, coco e açúcar. Em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na região Centro-Oeste do país, a expressão denomina o calçamento feito com pedras de formato irregular. Em todos esses casos, a palavra se escrevia com hifens, como que a reforçar a metáfora a ela inerente, distinguindo-se das extremidades dos membros inferiores de meninos. Muito bem. Isso é passado.

Há situações, entretanto, em que a distinção permanece. É o caso de "boca-de-lobo" e "boca de lobo". A forma hifenizada é nome de uma espécie botânica (é o outro nome da trepadeira também conhecida como "boca-de-leão"); a forma sem hifens é um sinônimo de bueiro. É preciso lembrar que os nomes de espécies botânicas e de espécies animais mantiveram a grafia hifenizada. Assim: boca-de-leão (espécie botânica), boca-de-lobo (espécie botânica), mas boca de lobo (bueiro), boca de urna, boca de sino, boca de siri, boca de fumo, boca do lixo, etc.

Com o tempo vamos todos nos acostumar com a mudança

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- Verbos no futuro rejeitam ênclise -

"O governo goiano, com 99,6% das ações, manteria-se no controle da concessionária."

A colocação dos pronomes átonos considerada pertencente à norma culta ainda está presa ao padrão lusitano, o que quer dizer que nem sempre reflete a dicção brasileira.

Uma das características marcantes do português do Brasil é a opção pela próclise mesmo na ausência dos seus fatores determinantes, o que já se aceita na maior parte dos casos.

À parte os casos em que realmente o uso nos distanciou do padrão português, há situações em que prevalece o acordo sobre a construção mais eufônica. Pode-se dizer que a rejeição da ênclise pelos verbos conjugados no futuro do presente e no futuro do pretérito é uma delas.

A tradição orientaria o redator a empregar a mesóclise nesses casos. Assim: no lugar de "manteria-se", usaríamos "manter-se-ia". Entre nós, brasileiros, esse uso está quase aposentado, embora se registre, até com certa regularidade, em textos de caráter jurídico ou religioso e mesmo na literatura mais antiga.

No dia a dia, entretanto, e nos textos da imprensa, a mesóclise praticamente foi abolida. Que fazer, então, se a ênclise não é possível e se a mesóclise soaria por demais artificial? Resta, é claro, a próclise, que, entretanto, não costuma aparecer depois das pausas. Uma solução para o problema seria eliminar a intercalação e usar o pronome antes do verbo. Assim:

"Com 99,6% das ações, o governo goiano se manteria no controle da concessionária."

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