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- Raul Seixas -

por Alex Ornold



28 de junho de 1945 - 21 de agosto de 1989

o Gênio,  o Louco, o Roqueiro, o Astro, o Vanguardista, o Místico, o Revolucionário, o Delirante

um diamante esculpido com múltiplas faces

a lenda do rock brasileiro

Assim é descrito Raul Santos Seixas

Morreu cedo, aos 44 anos. Perdendo assim o resultado daquelas eleições, a iminente queda do Muro de Berlim, a chegada da MTV, os anos 90, a internet... Também não viveu o sufuciente para ver o relativo sucesso de suas músicas que talvez poderão ser cantadas por alguém daqui a dez mil anos.


Raul nasceu no dia 28 de junho de 1945, em Salvador (BA). Filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas, o garoto foi criado na capital baiana até sua adolescência. Foi lá que começou a ouvir música, que ia desde clássicos do rock, como Elvis Presley e Little Richard, até marcos da cultura nordestina, como Luiz Gonzaga. O gosto eclético do menino Raul influenciou no seu trabalho, que misturava esses dois estilos tão extremos, e se tornou o diferencial da sua obra que marcou, a ferro e fogo, a cultura brasileira. 

O primeiro sucesso de Raul que estourou era uma canção carregada de letras agressivas, que criticavam a sociedade capitalista, a valorização de bens materiais e as autoridades da época: "E você ainda acredita/ Que é um doutor/ Padre ou policial/ Que está contribuindo/ Com sua parte/ Para o nosso belo quadro social", dizia o trecho de "Ouro de Tolo", lançado em 1973.

Devido ao sucesso do compacto de "Ouro de Tolo", o músico foi contratado por uma gravadora e lançou "Krig-Ha, Bandolo!", de 1973, seguido por "Gita", de 1974. Os dois álbuns se tornariam ícones na trajetória de Raul por trazer algumas de suas mais conhecidas canções, como "Metamorfose Ambulante", "Mosca na Sopa", "Al Capone", "Sociedade Alternativa", "O Trem das Sete", "Medo da Chuva", entre outros.

Todas as músicas tinham em comum a presença de um cunho crítico-social, um abuso para aquela época, quando o Brasil era governado pela Ditadura Militar, e o Ato Institucional número 5 (AI-5), entrou em vigor, iniciando uma fase de censura e repressão no grupo de constadores no qual Raul estava incluído.

Foi nesse período, que o "Maluco Beleza" conheceu uma pessoa com quem cultivaria amizade e travaria diversas parcerias musicais ("Gita" é o principal exemplo): o escritor Paulo Coelho. Juntos, os dois amigos dividiram loucuras e pensamentos ousados, e chegaram a formar uma sociedade só deles, a "Sociedade Alternativa", com direito a uma comunidade própria, a "Cidade da Luz", onde o objetivo era liberdade de viver da forma que cada individuo bem entendesse.

Loucura ou não, o fato é que a dupla contribuiu em grande parte para o cenário musical da época, e grandes sucessos de Raul foram compostos em parceria com o escritor.

Raul sempre seguiu sua própria religião e modo de vida. "Já fui Pantera, já fui hippie, beatnik, tinha o símbolo da paz pendurado no pescoço. Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação. Já fui católico, budista, protestante, tenho livros na estante, todos tem explicação". Ele falava o que pensava, fazia o que queria, e sabia que os assuntos mais profundos podem ser entendidos na simplicidade de sua explicação.

Foi assim que o romântico careta, participante do fã-clube do Elvis, casado cincos vezes, deixando três herdeiros, e seguidor de seus próprios princípios conquistou o espaço que, sem humildade, já sonhava. O magrelo barbudo já apanhou por ser impostor dele mesmo, mas antes uma "metamorfose ambulante, do que ter a velha opinião formada sobre tudo". Foi assim que ele fez diferença. Com diversas parcerias, desde o amigo Jerry Adriani ao conterrâneo Marcelo Nova, já foi tachado de brega, criticado por uns, adorado por outros. Com o último, ele produziu seu também último trabalho, "A Panela do Diabo", lançado após sua morte.

Raul tinha um forte inimigo: sempre foi a mosca na sopa no dicionário da censura, mas driblou até onde pode e como ninguém as próprias letras. Palavras como "gente", "povo", "universidade", "aranha" já não podiam ser mais usadas. "Eu fui o precursor da aranha, depois de Deus".
"Eu sei que determinada rua que eu já passei não tornará a ouvir o som dos meus passos". Mas não é bem assim. Os passos de Raul, nunca seguidos com o mesmo foco, permanecem na memória brasileira, que só valoriza seus ídolos depois que eles se vão. O bom moço que passou em diversas faculdades e teve a cara de chegar para a própria mãe e dizer o quanto "é fácil ser medíocre" se foi.

Foi pancreatite crônica, causada pelos seus abusos com a bebida, que o derrubou, sozinho, em seu quarto de hotel, na tarde de 21 de agosto de 1989. Mas a gente sabe que ele não se acabou. Foi uma escolha: "faz o que tu queres, pois é tudo da lei". Ele escolheu e sofreu as consequências disso, mas sabia que o fim estava chegando. Ele morreu para deixar um legado sem igual na música brasileira, com seu rock misturado com baião e maxixe. Quem diria que um dos maiores roqueiros do país viria da terra do axé?! "Hoje em dia, eu não falo muito, eu penso". Isso foi o que ele disse, já gordo, em sua última entrevista antes de partir dessa.

"A morte, surda, caminha ao meu lado. E eu não sei em que esquina ela vai me beijar". Mas não importa. A gente sabe que "todo homem e toda mulher é uma estrela".

No ano de 2009, completou 20 anos de sua morte, mas mesmo assim Raul Seixas ainda consegue vender discos e ser lembrado pela cultura de um país sem memória, onde inúmeros artistas já passaram e se foram, caindo no ostracismo e em total esquecimento.

O segredo da imortalidade e da sua atemporalidade pode estar na irreverência e na imagem de rebeldia, cultivada em uma época em que ser rebelde era sinônimo de perigo para os bons costumes da sociedade brasileira. Ou então no legado musical deixado pelo compositor e intérprete que até hoje reúne diferentes gerações que gritam, em uníssono, o famoso "Toca Raul!", frase que ficou tão célebre quando seu próprio personagem.

"Raul foi o cara que soube como ninguém misturar o rock com a música brasileira, sempre contestando, filosofando, enlouquecendo. Ninguém mais soube fazer isso", diz Sylvio Passos, fundador do Raul Rock Club (fã clube oficial dedicado à memória ao cantor).

A figura emblemática de Raul não estava apenas na imagem anarquista, suas polêmicas com seitas religiosas e declarações ousadas, mas também no símbolo de um ser humano que se preocupava com o andamento do mundo e as injustiças que eram escancaradas na cara da sociedade, que se calava diante de tanta repressão. 

”Não é por que era meu amigo e morreu não, mas (Raul) era uma figura maravilhosa. Nunca vi fazer mal ou brigar com ninguém. E fora do palco ele era completamente diferente, muito tímido”, recorda Hélio Meirelles.

Na mesma época em que Hélio tocou nos Panteras, quem fazia a guitarra-solo era Thildo Gama, autor de dois livros sobre Raul. ”Conheci Raul na estação de trem de Dias D‘Ávila, onde nossas famílias passavam o veraneio”, conta. ”Nessa época, com apenas 14 anos, ele já bebia escondido. A gente pegava uma garrafa de Jacaré (antiga marca de aguardente), derramava a metade e enchia o resto com Coca-Cola. Bebíamos escondidos e só aí íamos para o ‘escondido‘ daquela noite, que é como chamávamos as festinhas, reuniões de jovens na época”, rememora. 

”Desde menino, Raul era magérrimo. Cabelo preto com um pimpão tipo Elvis, a gola da camisa levantada, mangas arregaçadas, mascando chiclete. Éramos a própria juventude transviada. Aí, quando chegávamos em casa, tínhamos de botar tudo no lugar de novo, né?”, ri. Outra coisa que Thildo lembra bem é que mesmo de atividades triviais que até seus colegas roqueiros gostavam, como jogar bola, Raul corria léguas. “Nunca o vi de sunga. Ele nunca jogou bola, basquete, ping pong. Ele não era nem um pouco esportivo. Era tímido, mas brincalhão. E era extremamente educado. Todos os nossos pais adoravam ele. Mas bastava sair da vista dos mais velhos, que se tornava o carismático líder da juventude rebelde“, garante Thildo. 

Já Enelmar Chagas, que tocou com Raulzito e Thildo na banda Relâmpagos do Rock (pré-Panteras), lembra que “o Raul que estourou era bem diferente do que eu conheci. Nunca imaginei que o carinha que eu conheci ia se tornar ‘a metamorfose ambulante‘“, admira-se. “Mas Raul foi o primeiro roqueiro da bahia. Às vezes ele ficava meio distante, assim, viajando mesmo. Naquela época ele não era nem um pouco místico. Para mim, isso foi resultado da convivência com Paulo Coelho. Claro que ele já tinha aquela ebulição constante em relação à vida, mas não pendia para esse lado místico“, acredita Enelmar.


20 anos sem Raul

Mesmo após 20 anos de sua morte, o baú de Raul Seixas parece tão grande quanto o interesse das novas gerações pelo artista.
Uma passeata em São Paulo, promovida pelo fã-clube oficial do roqueiro; livros; e um documentário, "Raul Seixas, o início, o fim e o meio", dirigido por Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, previsto para estrear nos cinemas em dezembro, estão no pacote da efeméride.
Mas um lançamento em especial, que chega às lojas, aos 21 dias de agosto, aniversário da morte do cantor, traz boas novidades. Produzido por Marco Mazzola, "20 anos sem Raul Seixas" traz uma reedição, em DVD, do documentário "Raul Seixas também é documento", lançado em 1998, e o relançamento de um CD que traz, como bônus, uma canção inédita, "Gospel", censurada durante a ditadura militar. 

A música proibida integraria a trilha sonora da novela "O rebu", encomendada a Raul e Paulo Coelho pela Rede Globo, em 1974. Ganhou um novo nome, "Por quê?", e uma letra mais amena - apesar de não ter nada demais, além das questões filosóficas e existenciais clássicas das letras da dupla. No disco, a música foi gravada pela cantora Sônia Santos e não passa perto de sucessos como "Eu nasci há dez mil anos atrás", "Gita", "Eu também vou reclamar", "Medo da chuva" e "Al Capone". 

O curioso da censura é que o disco da trilha original tem como abertura "Como vovó já dizia", que parece um deboche com a própria ditadura: "Quem não tem visão bate a cara contra o muro". Outra música da trilha, "Um som para Laio", só de Raul, também não parece mais amena que a censurada: "O que você tem pra dizer ouvi há cem anos atrás/ O que eu faço agora você não sabe mais".

Há uma explicação para o baú de Raul Seixas ser tão profícuo. O roqueiro doidão, sem papas na língua, que idealizou a Sociedade Alternativa e "pulava o muro no fundo do quintal da escola" era muito organizado com sua obra, como se tivesse a certeza da "imortalidade". Por isso, apesar de ter morrido jovem, causada pelo excesso de bebida, ele deixou um acervo enorme que, explorado de tempos em tempos, sempre apresenta novidades.

Pois, quando aconteceu o episódio da censura, ele não se fez de rogado e, sabendo que aquele não seria o estado permanente das coisas, gravou uma fita, apenas com voz e violão, com a letra original. Esse material, guardado por 35 anos, foi encontrado por Mazzola em 1998, quando remexia em seus arquivos para produzir "Documento", um álbum com músicas de Raul vertidas para o inglês pelo próprio compositor.

Também chega às bancas o livro "Metamorfose Ambulante - Vida, alguma coisa acontece; morte, alguma coisa pode acontecer", de Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, abordando a morte na vida e na obra de Raul Seixas. O livro trará como brinde o CD da cantora portuguesa Carina Freitas, com a música "Alquimia", uma homenagem ao roqueiro que se tornou tema de novela em Portugal.




Sósias mantêm a memória de Raul Seixas

“20 anos sem Raul só para os outros. Ele nunca esteve tão vivo para mim”, diz Amorim Menezes, cover do cantor baiano.

Menezes, com 57 anos, é um dos mais antigos sósias de Seixas – ele começou com Raul ainda vivo, na década de 80. “Sou fã dele há muito tempo. Raul me ajudou a sair das drogas com ‘Ouro de tolo’. Em 1983 eu comecei uma banda cover, por diversão. Tocava bateria no começo, mas quando fui cantar, as pessoas se emocionaram, falaram que eu era a cara dele, mas eu nem tinha percebido”, lembra Amorim. 

Outro cover que começou a carreira com Raul ainda vivo é Roberto Seixas, de 53 anos, que também virou sósia ao perceber que compartilhava semelhanças físicas (e também os pelos faciais) com o cantor. “Na verdade eu adotei o bigode e o cavanhaque por causa da dupla da Jovem Guarda Deny & Dino”. A carreira começou em 1987, com direito a quatro CDs com composições próprias gravados, sempre paralelamente aos shows com músicas de Raul. 

Roberto é fanático a ponto de ter conseguido com a mãe de Raul, Maria Eugênia Santos Seixas, o direito de ter o mesmo sobrenome que o ídolo. Ele diz também ter gravado músicas inéditas de Raul, conseguidas através de Maria Eugênia, e também já ganhou diversos concursos de sósias do cantor. “Quando eu vi Raul ao vivo pela primeira vez eu descobri que ele era a minha alma gêmea”, lembra.

Paulo Mano, 46 anos e também cover de Raul, tem uma abordagem mais prática. “Comecei em 1990, depois da morte dele – foi ideia de um amigo meu. Desfiz a minha banda de pop rock, deixei o cabelo e a barba crescer e comecei a fazer covers”. 

A tarde de 21 de agosto

Quando velhos sucessos de Raul Seixas começaram a tocar repetidamente nas rádios na tarde daquela segunda-feira, 21 de agosto de 1989, não foram poucos os que se surpreenderam. Com Raul ausente das paradas desde "Cowboy Fora da Lei", dois anos antes, escutar antigos hits como "Ouro de Tolo", "Gita", "Metamorfose Ambulante" e "Maluco Beleza" no meio da programação regular - que então ia da revelação Marisa Monte a Chitãozinho e Xororó e Milli Vanilli, passando por Legião Urbana - deveria significar alguma coisa. E a notícia não demorou a chegar. 

Fontes

- G1, Estadão, Mtv, Diário do Pará, A Tarde, O Globo -



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